domingo, 14 de fevereiro de 2016
A Paixão de um Colecionador
Livro de bolso do IV Centenário iniciou acervo de documentos sobre o Rio.
Carlos dos Santos, de 77 anos, começou a se tornar um colecionador, há quase 50.
Apaixonado pela cidade, especialmente pela Tijuca, onde nasceu e mora, Santos leu um anúncio informando que, no dia 1 de março de 1965, haveria a distribuição de livros de bolso em homenagem ao IV Centenário do Rio. Os exemplares "Aspectos da história do Rio de Janeiro", foram jogados de avião, junto aos Arcos da Lapa, e encantaram Santos, que tomou ali, gosto por colecionar documentos sobre a fundação do Rio, que fará 450 em 2015.
- Eu vi o anúncio e fui. Os folhetos caíram como uma chuva de livros. Cada um foi jogado como um miniparaquedas, para descer de forma lenta e chamar a atenção da população- lembre ele que conseguiu três exemplares.
Quem entra em sua biblioteca, com 25 metros quadrados, se surpreende com tantos artigos e objetos antigos, como uma revista "O Cruzeiro", edição especial do IV Centenário.
Santos tem ainda a edição especial da revista "Manchete". além de matérias do Globo e outros jornais.
-Não sou historiador. Sou pesquisador e memorialista. Minha intenção é conservar a história do Rio e, principalmente da Tijuca. berço da nobreza.
Ele diz que com as comemorações, espera que o carioca passe a olhar a cidade com mais carinho. E garante que guardará todas as lembranças que conseguir dos 450 anos.
Rodrigo Bertolucci, Jornal O Globo, 2014
Prédio do Século XIX é Restaurado
A cidade ganhou um presente antecipado pelos seus 450 anos de fundação, comemorados em 1 de março de 2015.
Meses antes de soprar as velinhas, o Rio recebeu ontem, o prédio 287 da Rua do Riachuelo , no Centro, erguido no século XIX, que foi sede da Inspeção Geral de Obras Públicas da Capital Federal, em 1901,e hoje pertence à Cedae.
Com o retrofit, o imóvel-de três andares , pé direito de 4,5 metros e amplas paredes de 70 centímetros de largura-já começou a ser utilizado. Ontem mesmo, foi palco do lançamento do livro " Memória da Água", do francês Benoit Fournier.
O lugar está disponível para eventos-inclusive os da programação dos 450 anos do Rio. Mas o espaço, de três mil metros quadrados, foi recuperado com o objetivo principal de se tornar um centro cultural interativo : a Casa das Águas.
Lá o visitante poderá ver exposições e "mergulhar" em atividades educativas, de pesquisa e lúdicas sobre a água. E, num anexo , em obras, funcionarão uma sala de cinema e um auditório.
-Esse prédio é um patrimônio histórico e corria o risco de pegar fogo. A fiação estava aparente. O telhado também podia desabar- recorda Wagner Victer, presidente da Cedae.
Os 8 milhões gastos na restauração foram captados através da Lei Rouanet, de incentivos fiscais, do Ministério da Cultura. Como o imóvel é preservado, a reforma precisou ser cercada de cuidados, e levou dois anos.
São necessários mais 7 milhões para implantar o centro cultural. A intenção do Instituto de Sustentabilidade e Novos Talentos do Esporte e da Cultura (INTEC), responsável pela Casa das Águas, é que o espaço funcione em 2015.
Selma Schimidt, Jornal O Globo, 2014
Monstro ou Maravilha?
Filme e livro relembram a história do Palácio Monroe, demolido por causa das obras do metrô. Hoje ali há chafariz e estacionamento subterrâneo.
O carioca morre de saudade do Palácio Monroe, Mesmo quem ainda não tinha chegado aqui em março de 1976, quando foi demolido, nutre certa nostalgia do imponente edifício, construído em 1904 para uma exposição nos EUA- três anos depois viria todo ele para cá, transportado de navio , peça por peça.
A fixação das pessoas por esta espécie de castelo-localizado no Centro mas à beira mar-costuma gerar mostras de fotos e debates sobre se deveria ou não ter havido o desmanche.
E agora novas e velhas histórias sobre o prédio aparecem em dois lançamentos: um documentário especificamente sobre o tema e um livro que fala da década de 20 e, por isso mesmo, sobre a importância do Monroe naquele momento. O filme selecionado para ser exibido no Festival do Rio, no mês que vem, chama-se Crônica da Demolição e é dirigido por Eduardo Ades.
Por sua vez, Babélica Urbe, editado pela Rio Books. é assinado pela arquiteta Jane Santucci, da Escola de Bela Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e teve destaque na recém encerrada Bienal do Livro. Nos capítulos que falam da região central da cidade e da Lapa, há comentários tanto positivos como negativos sobre a relevância do palácio.
Chamado de "monstrengo" e "aberração" por uns, de "maravilha de arquitetura" por outros, já foi sede da Câmara dos Deputados e também do Senado Federal.
No fim, o prédio, que estava para ser tombado pelo patrimônio público ( já havia até documentos para isso ), acabou tombado, ao pé da letra, por retroescavadeiras da prefeitura.
Curiosidades:
Estátuas de leões que adornavam o Monroe estão em Minas e Pernambuco.
Sobre o palácio: levou o primeiro prêmio da arquitetura brasileira; Refeito no Rio, foi por um tempo Pavilhão Saint Louis; Seus leões estão em Recife e nume fazenda em Minas.
Sobre o filme: a pesquisa de imagens passou por trinta acervos; Há uma cena rara da hora da demolição , em cores; Será exibido no Odeon, ao lado de onde ficava o Monroe.
Sobre o livro: fala também do Theatro Municipal e favelas; tem quase 300 páginas; Na contra capa, Ruy Castro diz que o Rio "era moderno antes até do modernismo"
Lula Branco Martins, Veja Rio, 2015, 23 de setembro
Filme e livro relembram a história do Palácio Monroe, demolido por causa das obras do metrô. Hoje ali há chafariz e estacionamento subterrâneo.
O carioca morre de saudade do Palácio Monroe, Mesmo quem ainda não tinha chegado aqui em março de 1976, quando foi demolido, nutre certa nostalgia do imponente edifício, construído em 1904 para uma exposição nos EUA- três anos depois viria todo ele para cá, transportado de navio , peça por peça.
A fixação das pessoas por esta espécie de castelo-localizado no Centro mas à beira mar-costuma gerar mostras de fotos e debates sobre se deveria ou não ter havido o desmanche.
E agora novas e velhas histórias sobre o prédio aparecem em dois lançamentos: um documentário especificamente sobre o tema e um livro que fala da década de 20 e, por isso mesmo, sobre a importância do Monroe naquele momento. O filme selecionado para ser exibido no Festival do Rio, no mês que vem, chama-se Crônica da Demolição e é dirigido por Eduardo Ades.
Por sua vez, Babélica Urbe, editado pela Rio Books. é assinado pela arquiteta Jane Santucci, da Escola de Bela Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e teve destaque na recém encerrada Bienal do Livro. Nos capítulos que falam da região central da cidade e da Lapa, há comentários tanto positivos como negativos sobre a relevância do palácio.
Chamado de "monstrengo" e "aberração" por uns, de "maravilha de arquitetura" por outros, já foi sede da Câmara dos Deputados e também do Senado Federal.
No fim, o prédio, que estava para ser tombado pelo patrimônio público ( já havia até documentos para isso ), acabou tombado, ao pé da letra, por retroescavadeiras da prefeitura.
Curiosidades:
Estátuas de leões que adornavam o Monroe estão em Minas e Pernambuco.
Sobre o palácio: levou o primeiro prêmio da arquitetura brasileira; Refeito no Rio, foi por um tempo Pavilhão Saint Louis; Seus leões estão em Recife e nume fazenda em Minas.
Sobre o filme: a pesquisa de imagens passou por trinta acervos; Há uma cena rara da hora da demolição , em cores; Será exibido no Odeon, ao lado de onde ficava o Monroe.
Sobre o livro: fala também do Theatro Municipal e favelas; tem quase 300 páginas; Na contra capa, Ruy Castro diz que o Rio "era moderno antes até do modernismo"
Lula Branco Martins, Veja Rio, 2015, 23 de setembro
As Marcas da Imigração
Cineasta portuguesa produz no Rio um documento que conta histórias sobre o Real Gabinete, a Travessa do Comércio, restaurantes , padarias, e empresas com fundadores lusos.
Era uma vez uma cineasta portuguesa que em 2010, deixou sua terra natal para dividir-se, como jornalista correspondente em nosso país, entre São Paulo e Rio. Ou lá, ou cá, sempre passou por sua cabeça a vontade de fazer um documentário sobre a migração de seus patrícios para o Brasil, com foco nos meados do século XX e nos dias atuais. Como um tio avô havia desembarcado no Rio, provavelmente na década de 50, ela escolheu a cidade para ser o pano de fundo de seu filme. Mas o inusitado desse enredo não para por aí. A história da produção conduzida por Vanessa Rodrigues- nascida na cidade do Porto-ganha contornos ainda mais curiosos quando se sabe que ela já está gravando o longa (desde o início deste mês) mas até agora não identificou o paradeiro de seu parente, apenas ouvindo falar por terceiros, que ele se encontra adoentado.
Com ou sem o tio, a diretora começou a rodar Batismo de Terra, e pensa em entrevistar pelo menos mais cinco personagens para ajudar a compor o Rio de então e contar a difícil chegado dos portugueses a uma nação estrangeira. Ela vai se valer de imagens de lugares como a Travessa do Comércio ( o roteiro frisará que a cantora Carmen Miranda morou ali), e o Real Gabinete Português de Leitura, os dois no Centro, além do Palácio São Clemente em Botafogo, onde funciona o consulado de Portugal, com pedras na calçada formando o brasão da bandeira lusa. Pequenos estabelecimentos, como padarias e restaurantes, e mesmo empresas de ônibus também aparecerão na tela.
" Quando cheguei pela primeira vez no Rio, tive a plena sensação de estar em casa. ", diz Vanessa.
A obra fica pronta em 2016, com 80 minutos de duração.
Lua Branco Martins, Veja Rio, 2015, 30 de setembro
Cineasta portuguesa produz no Rio um documento que conta histórias sobre o Real Gabinete, a Travessa do Comércio, restaurantes , padarias, e empresas com fundadores lusos.
Era uma vez uma cineasta portuguesa que em 2010, deixou sua terra natal para dividir-se, como jornalista correspondente em nosso país, entre São Paulo e Rio. Ou lá, ou cá, sempre passou por sua cabeça a vontade de fazer um documentário sobre a migração de seus patrícios para o Brasil, com foco nos meados do século XX e nos dias atuais. Como um tio avô havia desembarcado no Rio, provavelmente na década de 50, ela escolheu a cidade para ser o pano de fundo de seu filme. Mas o inusitado desse enredo não para por aí. A história da produção conduzida por Vanessa Rodrigues- nascida na cidade do Porto-ganha contornos ainda mais curiosos quando se sabe que ela já está gravando o longa (desde o início deste mês) mas até agora não identificou o paradeiro de seu parente, apenas ouvindo falar por terceiros, que ele se encontra adoentado.
Com ou sem o tio, a diretora começou a rodar Batismo de Terra, e pensa em entrevistar pelo menos mais cinco personagens para ajudar a compor o Rio de então e contar a difícil chegado dos portugueses a uma nação estrangeira. Ela vai se valer de imagens de lugares como a Travessa do Comércio ( o roteiro frisará que a cantora Carmen Miranda morou ali), e o Real Gabinete Português de Leitura, os dois no Centro, além do Palácio São Clemente em Botafogo, onde funciona o consulado de Portugal, com pedras na calçada formando o brasão da bandeira lusa. Pequenos estabelecimentos, como padarias e restaurantes, e mesmo empresas de ônibus também aparecerão na tela.
" Quando cheguei pela primeira vez no Rio, tive a plena sensação de estar em casa. ", diz Vanessa.
A obra fica pronta em 2016, com 80 minutos de duração.
Lua Branco Martins, Veja Rio, 2015, 30 de setembro
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