Na Dança do Caxambu
A Casa Do Jongo abre as portas em Madureira com missão de perpetuar o gênero que nasceu na África e se espalhou pelas favelas cariocas.
No domingo ( 29/11/2015), a partir das 10 horas, o carioca tem um encontro marcado com suas raízes. É que nesta data será inaugurada a Casa do Jongo da Serrinha, que servirá de sede para o Grupo Cultural Jongo da Serrinha, criado há 50 anos em Madureira. A festa terá lavagem da Rua Compositor Silas de Oliveira ( onde fica o estabelecimento), com líderes de diversas religiões, café da ,manhã . rodas musicais e a apresentação da orquestra de alunos da UFRJ. Tudo, é claro, ao som do jongo.
O imóvel, doado pela prefeitura do Rio em 2013, fica no pé do morro da Serrinha, local de resistência do gênero musical.Afinal, foi lá que na década de 60, Mestre Darcy do Jongo (1923-2001), ao ver que a batucada e as danças corriam o risco de desaparecer, convidou algumas jongueiras, como Vovó Teresa (1864-1979) e Djanira do Jongo (1934-1995), para passar seu conhecimento às novas gerações- até então, por tradição, o jongo podia ser dançado somente por idosos. Estava, então, formado o grupo Jongo da Serrinha, com a missão de perpetuar o isto de dança e cantigas (chamadas de pontos) nascidos na África.
O jongo, ou caxambu, como também é conhecido, chegou ao Brasil por meio dos negros de origem bantu, trazidos como escravos para trabalhar nas fazendas do Vale do Paraíba, Minas Gerais e São Paulo. Nessa época, só tinham permissão para se manifestar nos dias do santos católicos. Na prática , o jongo é constituído de dança de roda, e de cantigas de frases curtas, entoadas por um solista, cujo refrão é respondido pelo restante do grupo. A natureza, a opressão e o cotidiano são alguns de seus temas.
Com a abolição da escravatura, os ex-cativos migraram para o Rio, e com o tempo, foram se instalando nos morros cariocas como, São Carlos, Salgueiro, Mangueira e Serrinha. A partir da década de 30, no entanto,a prática foi desaparecendo, e o único local a manter a tradição foi o Morro de Madureira. Foi graças aos jongueiros do bairro que o gênero sobreviveu, e em 2005, foi tombado como o primeiro bem imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Heloísa Gomes- Veja Rio, Novembro 2015
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
terça-feira, 22 de janeiro de 2013
A bondade de estranhos
Toda manhã,no estado americano do Tenessee, algum desafortunado acha um bolo recém-assado na soleira da porta.Junto dele um bilhete simples:"Alguém ama voce".
Essa atitude nobre é cortesia das Nine Nanas,as nove vovós anônimas que, há muitos anos dedicam-se a ajudar os pobres
. Thiago Bertoldi,filho de um caminhoneiro e uma dona de casa,deixou a cidade natal de Garça (SP) para se dedicar à música.Conseguiu formar-se pianista em julho pela Academia de Música Franz Liszt,de Budapeste,graças ao apoio financeiro da psicóloga Judith Vero,que aos 69 anos,além de trabalhar e fazer tradução simultânea,dedica-se a patrocinar jovens talentos.
Trinta mil pessoas de 84 países doaram mais de 700 mil dólares à monitora de ônibus Karen Klein,68 anos,de Greece,no estado de Nova York,quando um vídeo mostrando alunos do sétimo ano que a agrediam virou epidemia na Internet.
Nascido com uma deficiência imunológica rara, Lucas Gonzales, de 3 anos precisava desesperadamente de um transplante de medula óssea,e a família sabia onde levantar recursos: no site de notícias sociais reddit.com. Em 24hs,foram coletados mais de 50 mil dólares.
Num surto nunca visto antes de doações anônimas nos EUA,estranhos do país inteiro doaram um rim a quem precisava.Tudo começou quando Rick Ruzzamenti,44 anos da Califórnia,doou um rim a alguém em Nova Jersey.Inspirada pelo presente anônimo ao tio,a sobrinha Teresa A. Gavin doou um rim a Brooke R. Kitzman,paciente necessitada em Michigan.David Madosh, ex namorado de Kitzman,continuou a retribuir doando um rim a alguém que não conhecia na Pensilvânia.Quando tudo acabou, 30 pacientes e 30 doadores tinham participado da corrente.
Na cadeira de rodas,tudo o que Patrick Connelly conseguia ver no show de música country de Blake Shelton,no Kansas,era um mar de gente.Então ,dois estranhos puseram Patrick nos ombros durante mais de 20 minutos,num calor escaldante de quase 40 graus,tempo suficiente para que o rapaz pudesse ver o seu herói tocar.
As dificuldades financeira da família não permitiram que Helen Cardenas ganhasse presentes de Natal.Assim a menina de 5 anos de Seatlle escreveu pedindo presentes a Papai Noel e prendeu o bilhete num balão. A 1.100 km dali,o balão caiu no rancho de Frank Sanderson, na Califórnia.
Os Sandersons compraram os presentes da lista e os mandaram para Helen,
Revista Seleções Readers Digest, dezembro 2012
Essa atitude nobre é cortesia das Nine Nanas,as nove vovós anônimas que, há muitos anos dedicam-se a ajudar os pobres
. Thiago Bertoldi,filho de um caminhoneiro e uma dona de casa,deixou a cidade natal de Garça (SP) para se dedicar à música.Conseguiu formar-se pianista em julho pela Academia de Música Franz Liszt,de Budapeste,graças ao apoio financeiro da psicóloga Judith Vero,que aos 69 anos,além de trabalhar e fazer tradução simultânea,dedica-se a patrocinar jovens talentos.
Trinta mil pessoas de 84 países doaram mais de 700 mil dólares à monitora de ônibus Karen Klein,68 anos,de Greece,no estado de Nova York,quando um vídeo mostrando alunos do sétimo ano que a agrediam virou epidemia na Internet.
Nascido com uma deficiência imunológica rara, Lucas Gonzales, de 3 anos precisava desesperadamente de um transplante de medula óssea,e a família sabia onde levantar recursos: no site de notícias sociais reddit.com. Em 24hs,foram coletados mais de 50 mil dólares.
Num surto nunca visto antes de doações anônimas nos EUA,estranhos do país inteiro doaram um rim a quem precisava.Tudo começou quando Rick Ruzzamenti,44 anos da Califórnia,doou um rim a alguém em Nova Jersey.Inspirada pelo presente anônimo ao tio,a sobrinha Teresa A. Gavin doou um rim a Brooke R. Kitzman,paciente necessitada em Michigan.David Madosh, ex namorado de Kitzman,continuou a retribuir doando um rim a alguém que não conhecia na Pensilvânia.Quando tudo acabou, 30 pacientes e 30 doadores tinham participado da corrente.
Na cadeira de rodas,tudo o que Patrick Connelly conseguia ver no show de música country de Blake Shelton,no Kansas,era um mar de gente.Então ,dois estranhos puseram Patrick nos ombros durante mais de 20 minutos,num calor escaldante de quase 40 graus,tempo suficiente para que o rapaz pudesse ver o seu herói tocar.
As dificuldades financeira da família não permitiram que Helen Cardenas ganhasse presentes de Natal.Assim a menina de 5 anos de Seatlle escreveu pedindo presentes a Papai Noel e prendeu o bilhete num balão. A 1.100 km dali,o balão caiu no rancho de Frank Sanderson, na Califórnia.
Os Sandersons compraram os presentes da lista e os mandaram para Helen,
Revista Seleções Readers Digest, dezembro 2012
Notícias do mundo da medicina/Brasil
Comer faz bem.
Além do sabor agradável,o queijo de coalho tem características nutritivas e bioativas.
Segundo o estudo publicado na revista Food Chemistry, pelo biólogo Roberto Afonso da Silva,doutor em Biociência A
nimal,do Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami da Universidade Federal de Pernambuco,o produto apresentou peptídeos bioativos com propriedades antioxidantes,que podem prevenir danos relacionados a envelhecimento,câncer,ataques cardíacos, AVCs e arteriosclerose. Ele também apresentou atividade antimicrobiana e carreadora de zinco,mineral que ajuda na multiplicação de células de defesa.
Fonte: Letícia Lins, O Globo
Retirado da Revista Seleções Readers Digest, dezembro 2012
domingo, 13 de janeiro de 2013
Notícias do mundo da medicina/ EUA
Um aparelho que prevê infartos :
Do tamnho de uma moedinha de um real, o AngelMed Guardian - implante colocado debaixo da pele,perto do ombro esquerdo- monitora padrões incomuns de atividade elétrica do coração e ajuda a identificar um infarto de forma bem rápida,possivelmente antes mesmo que o usuário sinta algum sintoma. Ao detectar qualquer problema,o aparelho implantado produz uma vibração, e um bipe portátil dá o alarme para fazer uma luz de alerta piscar.A venda do aparelho no Brasil já foi aprovada pela Anvisa.
Fonte: Angel Medical System
Shrewsbury, Nova Jersey
Texto retirado da Revista Seleções Readers Digest, dezembro 2012
Máquina Social
É fácil fazer.Eis o slogan improvável de uma plataforma colaborativa de robótica,a Robô Livre.
O projeto começou em 2005,durante a pesquisa de mestrado em engenharia mecânica de Henrique Foresti,35 anos. Ele colocou na internet o planejamento de um robô que estava construindo para quem quisesse conhecer,copiar ou transformar o objeto.Em seguida começou a ensinar robótica em uma escola pública em Recife, onde mora.
Hoje, a iniciativa mantém centros de pesquisas em 5 escolas públicas( além de mais 3 privadas) da capital pernambucana.
Cada uma recebe um técnico do projeto duas vezes por semana.Eles ensinam a fazer protótipos,tiram dúvidas dos alunos e promovem a experimentação da tecnologia,estimulando a curiosidade e a criatividade.
Quando os monitores não estão nas escolas,o contato pode ocorrer por telefone, e -mail ou vídeo -conferência, e também por uma rede social criada pelo projeto há 2 anos.
Muitos alunos têm participado de campeonatos nacionais e internacionais de robótica,mostrando que o maior mérito da Robô Livre é trazer perspectiva de vida aos alunos.
" A transformação se dá quando esses jovens passam a dominar tecnologias que eram vistas como complexas e distantes da sua realidade.", diz Henrique, que se orgulha de muitos estudantes,antes sem intenção de fazer faculdade,agora já pensarem no vestibular.Para o que vão concorrer? Engenharia ,é claro.
Leandro Quintanilha, Revista Galileu.
sábado, 29 de dezembro de 2012
Senhora do tempo
Tornei a vê-la outro dia,aquela senhora que atravessa a rua com vagar,que anda pelas calçadas como se fosse uma rainha.Era de manhã bem cedo e lá estava ela . Vergada sim -mas soberba.O cabelo branco preso num coque no alto da cabeça,o corpo muito magro apoiado na bengala.Parada junto ao meio-fio,do outro lado da rua,preparava-se para atravessar.
Como da outra vez,fiquei espiando de longe,à espera de que o sinal abrisse e ela caminhasse.Usava calça comprida e camisa social,com um lenço no pescoço.E brincos.Elegantíssima para aquela hora da manhã.O sapato era do tipo mocassim,de gáspea alta e sola grossa,talvez pela necessidade de proporcionar um bom apoio para pés tão incertos,tão cansados.Mas nela ficava bem.
Finalmente o sinal abriu e ela começou a atravessar.
Da outra calçada,parada,eu continuava observando.Ela desceu o meio-fio com um passo leve,quase etéreo.Fiquei preocupada.Sei que aquele sinal é para pedestres e, como vivemos sob a tirania do automóvel,ele abre e fecha muito rápido.Os carros não podem esperar.Não vai dar tempo,pensei.Mas a mulher não parecia se importar.
Um passo depois do outro,lá ia ela,com todo vagar do mundo,apoiando-se em sua bengala.O sinal começou a piscar,anunciando que o tempo do ser humano se esgotava,que este precisava abrir caminho para a máquina.
Estremeci,pensando que precisava talvez ajudar aquela senhora,correr até ela e segurá-la pelo braço,para que atravessasse mais rápido.Mas,por algum motivo,não me mexi.Continuei imóvel pregada no chão.
Quando o sinal fechou,ela ainda estava no meio da rua.Mas nenhum carro avançou.Pareciam tímidos,contidos pela realeza da mulher.E,ela foi em frente,sem apressar o passo,sem olhar para os lados,sem temor algum.Com a maior dignidade,talvez orgulho,como se fosse a dona daquele lugar.
Senhora do tempo.
Porque ela é uma dessas pessoas que parecem pertencer a outra época.Parecem querer nos falar de uma outra maneira de viver,mais amena, mais gentil.Aquela senhora caminhava como se ainda estivesse numa Ipanema de 80 anos atrás,num Rio do anos 1930,quando ela foi menina,um lugar com ruas de terra,areais,brisa batendo.Onde todo mundo saía de casa sem pressa, sem precisar se esgueirar
por entre carros e ônibus.
Só quando afinal a senhora subiu a calçada do outro lado,só então,os automóveis arrancaram.E eu a vi afastar-se,no mesmo e impertubável passo.
Senti uma vaga sensação de culpa.Talvez eu devesse ter ido ao seu encontro,tentado ajudar,Mas não pude.Sua dignidade,tamanha, me intimidou.E fiquei parada,olhando,até ela desaparecer numa esquina,carregando sua imponència,maior que o tempo,maior que a máquina,maior que tudo.
Heloísa Seixas.
Retirado da Revista Seleções do Readers Digest,novembro 2012
quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Cardápio Social
Desde 2005, a empresária Márcia Manfrin,de 46 anos,reune grupos de jovens carentes de 15 a 18 anos que estão no que ela chama de "grupo de alto risco social", para ensinar uma profissão: auxiliar técnico de nutrição.Pode parecer pouco, mas para eles é um grande passo. "Damos mais que um curso,oferecemos a oportunidade de eles começarem uma carreira",diz a empresária,que em 5 anos pretende deixar a presidência da Apetit,sua empresa de alimentação empresarial coletiva,com sede em Londrina, Paraná,para se dedicar exclusivamente ao projeto.Esses jovens poderiam
seguir outros caminhos,como entrar para o crime,afinal a história de vida deles teve um início pautado por problemas.Mas, no curso os jovens conseguem ver alternativas mais promissoras.Durante o processo eles recebem salário e fazem estágio nos restaurantes da Apetit.Até hoje, foram mais de 150 participantes e 95% deles foram contratados por empresas da região. "Investimos no talento deles,não nos problemas", diz Márcia.
Lucas Rossi, Você S/A
Retirado da Revista Seleções Readers digest, novembro 2012
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