domingo, 30 de agosto de 2009

Amigos

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros objetos, enquanto o amor tem intrínsecos o ciúme que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
Até mesmo aqueles que não percebem quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências.
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles.Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluidos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E ás vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu tremulamente, construí se tornarem alicerces do meu encanto pela vida.
Se um deles morrer eu ficarei torto para um lado.
Se todos eles morrerem eu desabo!
Por isso é que sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonho, porque essa minha prece é , em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é talvez fruto do meu egoísmo.
Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando aquele prazer...
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado,morando comigo,falando comigo,vivendo comigo, todos os meus amigos e principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!
A gente não faz amigos, reconhece-os.
Vinícios de Moraes

nutricionista

Nutricionista não se apaixona...alimenta sentimentos
Nutricionista não tem foguinho... tem fogão
Nutricionista não faz exercício...queima calorias
Nutricionista não bebe...lesa as células hepáticas
Nutricionista não come doce...indere CHO de alto índice glicêmico
Nutricionista não lava louça...higieniza utensílios
Nutricionista não faz comida...ensina a comer
Nutricionista não come kani...ingere peixe sabor siri
Nutricionista não tem dor de estômago... tem desconforto gástrico
Nutricionista não menstrua... tem descamação endotelial
Nutricionista não tem desejos absurdos na gravidez... tem picamalácia
Nutricionista não tem IMC normal...é eutrófica
Nutricionista não é universitária...é profissional em treinamento.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Frases impagáveis

Por Marcelo Taz, jornalista e apresentador do programa " CQC ", onde não faltam sátiras políticas.
Jornal O Globo , 09/08/09
- "A verdade é a seguinte: política é como uma boa cachaça. Voce toma a primeira dose e não tem mais como parar.Só quando termina a garrafa." Essa autêntica filosofia de botequim só deixa uma dúvida: qual o tamanho da garrafa do Lula?
-"Minha mãe era uma mulher que nasceu analfabeta!" Certamente,presidente,sua mãe,como a de todos nós, nasceu analfabeta, desdentada, com pouco cabelo e chorando de fome.
-"Política é olho no olho. Como se diz no Brasil, é no tête -à-tête."Quando viaja, o presidente faz questão de esbanjar seu conhecimento em línguas...faladas no Brasil.O abacaxi fica sempre para o intérprete.
-"Se fosse fácil resolver o problema da fome, não teríamos fome."Seguindo essa linha de raciocínio: se fosse fácil resolver o problema da gula, não haveria lipoaspiração?
-"O governo tenta fazer o simples, porque o difícil é difícil." Te cuida ,Confúcio!!

Memória brasileira

Texto retirado do Jornal O Globo de 09/08/09 Fernando Cólon de Mello Ninguém pediu, mas "elle" voltou assim mesmo.Tal e qual um zumbi que sai de sua tumba,o ex presidente de Alagoas, Surtando Collor de Mello, voltou a exibir a sua canastrice dramática e histriônica no plenário do Senado.Se a Bárbara Heliodora fizesse crítica de política, já tinha tirado Collor de cartaz há muito tempo.Fernando Cóllon de Millus estava na encolha, fingindo de cachorro morto, mas agora voltou a exibir para o Brasil a sua hidrofobia raivosa.Ao ver aquelas imagens chocantes do bate boca na TV SemNada, tive ímpetos de chamar a carrocinha para pegar o senador descontrolado e levá-lo embora para a fábrica de sabão.Mas não ia dar certo."Elle" ia dar um péssimo sabão: o Collor, quanto mais voce esfrega mais sujeira aparece. Por trás da explosão collorida no Senado existe uma maquiavélica maquinação política de fundo nervoso. Cóllon de Mello está apoiando Lula porque o presidente prometeu nomeá-lo embaixador do Brsail na Bolívia, realizando assim o sonho do ex-presidente impichado. Como todos os meus 17 leitores e meio ( não esqueçam do anão) sabem, durante seu breve governo, Cheirando Collor de Mello foi acusado de ser viciado em supositórios tarja preta. E fica a pergunta que não quer cheirar: ao perder a linha no Senado, o ex presidente não estaria dando sinais de que voltou a praticar o seu esporte preferido, o caratê boliviano? Afinal, todo mundo sabe que o poder, assim como o supositório, vicia. Agamenon, jornal O Globo.

domingo, 26 de julho de 2009

O sal da terra

"Vós sois o sal da terra" diz Jesus aos discípulos.Ele estava se referindo também a todos os cristãos, numa das frases mais conhecidas das Sagradas Escrituras, que é citada em pelo menos tres evangelhos."Se o sal perde o sabor, para que servirá?", pergunta um dos discípulos. O sal não é um alimento.Não podemos sobreviver muito tempo comendo apenas sal.Sózinho,o sal significa muito pouco. Na medida em que o sal se relaciona com os outros alimentos,no entanto,sua presença afeta tudo.Não podemos vê-lo, mas sabemos que está ali porque sua força se faz sentir. Uma pitada a mais pode estragar um prato. A falta de sal faz com que uma excelente comida perca o gosto e a personalidade. Nós somos o sal da terra. Quando nos misturamos com as outras pessoas, quando nos fazemos presentes na medida exata em cada situação, sem excesso e sem omissão, estamos justificando nossas vidas.

terça-feira, 23 de junho de 2009

cometas e estrelas

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Há pessoas estrelas
Há pessoas cometas.
Os cometas passam.
Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As estrelas permanecem.Há muita gente cometa.Passam pela vida da gente apenas por instantes,não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente sem amigos.Que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença.
Assim são muitos artistasBrilham apenas por instantes nos palcos da vida.
E com a mesma rapidez com que aparecem,desaparecem.
Assim são muitos reis e rainhas: de nações, clubes ou concursos de beleza.
Assim são rapazes e moças que se enamoram e se deixam com a maior facilidade.
Assim são pessoas que vivem numa mesma família e passam pelo outro sem serem presençaA
Importante é ser estrela.Marcar presença.Ser luz.Calor.Vida.Amigos são estrelas.Podem passar os anos,surgir distâncias,mas a marca fica no coração.
Ser cometa não é ser amigo.É ser companheiro por instantes.Explorar sentimentos.
Aproveitar das pessoas e das situações.
É fazer acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.
A solidão é o resultado de uma vida cometa.Ninguém fica,todos passam.E a gente também passa pelos outros.
Há necessidade de criar um mundo de estrelas.
Todos os dias poder ve-las e senti-las.
Todos os dias poder contar com elas.
Todos os dias poder ver sua luz e seu calor.
Assim são os amigos.Estrelas na vida da gente. Pode-se contar com eles.Eles são aragem nos momentos de tensão.Luz nos momentos escuros.
Pão nos momentos de fraqueza.
Segurança nos momentos de desânimo.
Olhando os cometas é bom não se sentir como eles.Nem desejar prender-se em sua cauda.
Olhando os cometas é bom sentir-se estrela.Marcar presença.Ter vivido e construído uma história pessoal.
Ter sido luz para muitos amigos.
Ter sido calor para muitos corações.
Ser estrela neste mundo passageiro,neste mundo cheio de pessoas cometas, é um desafio,mas acima de tudo uma recompensa.
É nascer e ter vivido, e não apenas existido.
(autor desconhecido) Enviado por uma querida amiga -estrela,Therezinha, em um dia 20 de julho, dia do amigo.

domingo, 14 de junho de 2009

Do fundo à superfície num só fôlego

Vim a Jeju-Do, a maior ilha da Coréia do Sul,quase 100km ao sul do continente, para ver de perto o mundo extraordinário das haenyo,ou Mulheres do Mar.Com treinamento rigoroso e adaptação física, elas conseguem mergulhar até 20 metros de profundidade ,prendendo a respiração por até 4 minutos em águas frias que chegam a 10 graus de temperatura enquanto capturam abalones, ouriços -do-mar, e outras delícias marinhas.
...Chae Jung-za, mergulhadora de 47 anos, bate os pés-de-pato e mergulha suavemente até o fundo, 10 metros abaixo.Observando da superfície, vejo-a contornar pedras e espiar fendas, procurando o alimento com uma facilidade que nos faria pensar que respira água em vez de ar.
Com um ganchinho de ferro arranca uma lesma-do-mar.Por fim, depois de alguns minutos,Chae aponta o queixo para cima , bate os pés algumas vezes com rapidez e desliza até a superfície, os braços ao lado do corpo.Espero vê-la ofegante mas em vez disso ela solta uma série de assovios agudos e rítmicos.Todas as haenyo fazem este som.
É o canto de sereia das Mulheres do Mar, passado de mãe para filha.
O Dr. Warren Zapol, anestesista chefe do Hospital Geral de Massachusetts, em Boston,que as estudou na década de 90, diz que assoviar é mais do que uma tradição centenária.
"Ao soprarmos pelos lábios fechados, enchemos os saquinhos de ar do pulmão, que podem encolher com o mergulho",explica ele."É semelhante ao modo como as baleias e focas expiram quando mergulham".
..Como as focas antárticas, as Mulheres do Mar usam o baço como reservatório de oxigênio.Quando mergulham, o órgão se contrai,injetando na circulação glóbulos vermelhos ricos em oxigênio e permitindo-lhes ficar mais tempo debaixo da água.
As Mulheres do Mar começam o treinamento aos 7 anos e aprendem primeiro a colher algas perto da margem,e depois, a soltar os moluscos mais lucrativos em águas profundas, nos locais secretos das mães, sem se prenderem nas pedras.Também aprendem a ficar calmas diante de situações de perigo.
...No entanto, as Mulheres do Mar, tem cada vez menos oportunidades de se esforçarem até o limite:simplesmente já não há muito o que pescar.A poluição do oceano perto de Jeju-Do matou boa parte da vegetação submarina que alimenta os moluscos capturados pelas mulheres." Só restaram os ouriços-do-mar", diz Chae.
Para complementar a renda muitas delas plantam hortaliças ou trabalham em motéis e restaurantes a beira mar.
...Registros históricos indicam que, até o século 17, homens e mulheres mergulhavam no litoral da Ilha Jeju: os homens pegavam abalones nas águas mais profundas e as mulheres colhiam algas perto da margem.Quando o rei ordenou que colhessem abalones o ano todo, os homens fugiram da ilha,porque o serviço era muito perigoso.Isso deixou apenas as mulheres para se aventurarem mais longe do mar.Com o aumento da renda, veio um novo poder econômico, além da liberdade que elas não tinham no continente.
...formaram associações de mergulhadoras, que construíram escolas e estradas nas aldeias à beira mar.Seu poder de organização era tamanho que em 1932, as haenyo comandaram a resistência à colonização da ilha.
Em certo sentido, a prosperidade das Mulheres do Mar foi a sua ruína.Na década de 60 muitas tinham ganho o suficiente para comprar propriedades e educar os filhos que partiram em busca de oportunidades no continente.
...Em um de meus últimos mergulhos com as Mulheres do Mar, uso equipamento completo para poder sentar-me no fundo do oceano e observá-las trabalhando.Elas deslizam sem esforço para cima e para baixo, poesia em movimento,enquanto pescam.De repente o sol brilha através da superfície da água e sou inundada pela beleza daquele momento, a força real da sua sobrevivência.
"A gente arrisca a vida" ,disse-me Chae mais tarde, "mas ainda assim adoro mergulhar."
Texto retirado da revista Seleções Reader s Digest , maio de 2009.