As Marcas da Imigração
Cineasta portuguesa produz no Rio um documento que conta histórias sobre o Real Gabinete, a Travessa do Comércio, restaurantes , padarias, e empresas com fundadores lusos.
Era uma vez uma cineasta portuguesa que em 2010, deixou sua terra natal para dividir-se, como jornalista correspondente em nosso país, entre São Paulo e Rio. Ou lá, ou cá, sempre passou por sua cabeça a vontade de fazer um documentário sobre a migração de seus patrícios para o Brasil, com foco nos meados do século XX e nos dias atuais. Como um tio avô havia desembarcado no Rio, provavelmente na década de 50, ela escolheu a cidade para ser o pano de fundo de seu filme. Mas o inusitado desse enredo não para por aí. A história da produção conduzida por Vanessa Rodrigues- nascida na cidade do Porto-ganha contornos ainda mais curiosos quando se sabe que ela já está gravando o longa (desde o início deste mês) mas até agora não identificou o paradeiro de seu parente, apenas ouvindo falar por terceiros, que ele se encontra adoentado.
Com ou sem o tio, a diretora começou a rodar Batismo de Terra, e pensa em entrevistar pelo menos mais cinco personagens para ajudar a compor o Rio de então e contar a difícil chegado dos portugueses a uma nação estrangeira. Ela vai se valer de imagens de lugares como a Travessa do Comércio ( o roteiro frisará que a cantora Carmen Miranda morou ali), e o Real Gabinete Português de Leitura, os dois no Centro, além do Palácio São Clemente em Botafogo, onde funciona o consulado de Portugal, com pedras na calçada formando o brasão da bandeira lusa. Pequenos estabelecimentos, como padarias e restaurantes, e mesmo empresas de ônibus também aparecerão na tela.
" Quando cheguei pela primeira vez no Rio, tive a plena sensação de estar em casa. ", diz Vanessa.
A obra fica pronta em 2016, com 80 minutos de duração.
Lua Branco Martins, Veja Rio, 2015, 30 de setembro
domingo, 14 de fevereiro de 2016
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
Dois lados da mesma festa
O bicentenário de Martins Pena é lembrado em exposição, seminário e peça. Mas a escola que leva seu nome, em crise, fará um modesto sarau.
O diplomata, dramaturgo e crítico teatral Luís Carlos Martins Pena ( 1815-1848) viveu pouco-apenas 33 anos-mas revolucionou o teatro ao introduzir a comédia de costumes no Brasil. Considerado o Molière (1622-1673 ) brasileiro, o autor carioca retratava a sociedade e suas instituições da época abordando temas como a carestia, a corrupção das autoridades públicas e a exploração religiosa. Assuntos ainda atuais (basta acompanhar o noticiário), mesmo depois de 200 anos do nascimento de Pena, completados no dia 5 de novembro ( 2015).
Para comemorar a data , o Sesc promove o evento Martins Pena: 200 anos de Histórias, com exposição, teatro e seminários. Já , a instituição que leva seu nome, Faetc Escola técnica Estadual de Teatro Martins Pena, luta para superar a crise que atravessa e homenagear o autor, que também é patrono da Academia Brasileira de Letras. " vamos fazer um sarau ainda em novembro", promete o diretor Marcelo Reis, que assumiu o cargo em agosto , em meio ao caos que ia da falta de professores à má conservação do casarão onde a escola funciona desde 1950. Segundo Reis, os problemas estão sendo sanados. Professores de outras instituições foram chamados para que o ano letivo pudesse ser concluído e haverá concurso público. também estão nos planos a construção de dois andares no anexo ( inaugurado em 2007), a restauração do casarão, o aumento no número de alunos, de 250 para 450, e a abertura de cursos, entre outras medidas. Tomara que na próxima efeméride envolvendo o escritor a casa que leva seu nome consiga comemorar com toda a pompa.
Heloíza Gomes, Veja Rio, novembro de 2015
Glamour à francesa
Ao completar 110 anos, a Avenida Rio Branco é um dos destaques entre as imagens que compõem a mostra na Casa de Rui Barbosa.
O dia 15 de novembro de 1905 foi marcante para o Rio. Depois de três anos de demolições e obras, conhecidas popularmente como bota-abaixo, os cariocas finalmente puderam ser apresentados à parte mais vistosa do projeto : a Avenida Central ( atual Avenida Rio Branco ).
A via, inspirada nos boulevares parisienses, se tornou o principal marco de uma ampla revitalização de todo o Centro, empreendida pelo prefeito Francisco Pereira Passos ( 1836-1913)
inaugurada como um eixo de ligação entre a Praça Mauá ( na época ainda em construção ), e a Glória, ela foi desenhada pelo engenheiro Paulo de Frontin ( 1860-1933) e aberta ao público com 30 prédios prontos e 80 em fase de edificação, ladeando seus 1800 metros de extensão e 33 metros de largura. A avenida era dividida por um jardim, com árvores de pau-brasil, e virou endereço preferencial de empresas, jornais, clubes e outras instituições de peso.
Apesar do avanço incontestável, a reforma foi cercada por polêmica. Para a abertura da via, foram demolidas mais de 600 casas, o que desalojou centenas de pessoas. O mesmo aconteceu em vários pontos da cidade, para a criação de outras avenidas, como a Passos, Uruguaiana e Atlântica
A partir da década de 40, a rio Branco foi perdendo seu ar europeu, com os prédios em estilo eclético sendo substituídos por arranha- céus. mas ainda restam algumas edificações do período, que agora assistirão a uma nova mudança, com a instalação da linha de VLT por toda a sua extensão. Para os interessados em conhecer mais a história da região, a Casa de rui Barbosa abriga, até 10 de janeiro de 2016, a mostra Visões do Rio Antigo, com documentos, fotografias e cartões -postais da virada do século XIX para o XX.
Heloíza Gomes, Veja Rio, 2015,18 de novembro.
A praia libertária
O Arpoador é tema de um documentário que ressalta a história e a tradição democrática de um dos trechos mais emblemáticos da orla carioca.
Famoso pela concentração de surfistas, pelo espetacular pôr do sol, pelo agito no calçadão, e mais recentemente, pelos arrastões que tem acontecido por ali, o Arpoador agora também é tema de um documentário. Dirigido pelos cineastas Hamsa Wood e Hélio Pitanga, a obra é um dos destaques da mostra Arquivo em Cartaz, que acontece entre 9 e 13 de novembro [2015] e contará com trabalhos nacionais e estrangeiros com pelo menos 30% de imagens coletadas em arquivos. Com o título de Ar´poador-Praia e Democracia, a produção será exibida nos dias 12 e 13 no Cine Pátio, do Arquivo Nacional e no Cine Teatro- BNDES, respectivamente.
Baseado em estudos do antropólogo Roberto DaMatta, o documentário retrata a importância desse pequeno trecho de 500 metros entre a Praia do diabo e Ipanema na formação da cultura de praia do Rio, com seu caráter igualitário e democrático. " Não há muito o que ostentar de sunga e de biquini, Aqui vale mais a personalidade das pessoas." conta em sua última entrevista o ator Adriano Colassanti, que morreu em fevereiro do ano passado, aos 78 anos. Frequentador do local desde os anos 50 e 60, ele foi um dos pioneiros a ganhar provas de surf realizadas por ali. " Na ditadura, quando as pessoas sofriam com censura e repressão, aquele era um espaço para ver as ondas, as gatas e trocar idéias com a rapaziada. ", reforça em seu depoimento Evandro Mesquita, fundador da banda Blitz, expoente do rock carioca nos anos 80 e participante de um dos momentos icônicos da praia, que foi a instalação do Circo voador, no verão de 1982. O filme é pródigo em episódios que reforçam as origens da tradição liberal do lugar. Entre eles, está por exemplo, a estréia do biquini nas areias brasileiras, em 1948, quando as duas peças foram apresentadas ao país pela alemã Miriam ETZ exatamente naquele ponto da orla.
Heloísa Gomes, Veja Rio, 11 de novembro de 2015
terça-feira, 9 de fevereiro de 2016
História do Tempo
O homem branco que é o senhor, dono, proprietário dos cinco outros homens , negros e mulatos, está à frente , na posição de autoridade e domínio. Os outros se encontram atrás. O primeiro à esquerda do Senhor é mulato, está bem vestido. Ao contrário dos outros, deixou o cabelo meio liso crescer, penteou-o, fez uma risca no lado esquerdo, como o do seu Senhor.
Mas, não pode usar sapatos, privilégio e marca distinta dos livres e libertos. Tirar fotografia era uma operação demorada. Ninguém podia se mexer durante quase dois minutos. Outras tentativas já podiam ter falhado. O fotógrafo Militão, que fez essa foto em São Paulo, deve ter reclamado.
Por isso ou por outras razões mais secretas, o Senhor está zangado, de cara amarrada. O escravo situado à sua direita, assustado, encolheu-se. Na extrema esquerda, o homem com a varinha na mão – pastor de cabras ou de vaca leiteira na cidade – tem um olhar altivo, talvez por que traga nas mãos o objeto de seu ofício, que o distingue dos outros cativos, paus pra toda obra. Na extrema direita, o homem de branco se mexeu: estragou a foto da ordem escravista programada pelo seu Senhor. Vai apanhar. No seu rosto fora de foco vislumbra-se o medo. Vai apanhar.
(Foto de Militão Augusto de Azevedo, São Paulo, 1870. Texto: Luiz Felipe Alencastro – SP)
Texto retirado do zine Um Grito Pela Paz, Nº 29, Dezembro de 2009.
Por isso ou por outras razões mais secretas, o Senhor está zangado, de cara amarrada. O escravo situado à sua direita, assustado, encolheu-se. Na extrema esquerda, o homem com a varinha na mão – pastor de cabras ou de vaca leiteira na cidade – tem um olhar altivo, talvez por que traga nas mãos o objeto de seu ofício, que o distingue dos outros cativos, paus pra toda obra. Na extrema direita, o homem de branco se mexeu: estragou a foto da ordem escravista programada pelo seu Senhor. Vai apanhar. No seu rosto fora de foco vislumbra-se o medo. Vai apanhar.
(Foto de Militão Augusto de Azevedo, São Paulo, 1870. Texto: Luiz Felipe Alencastro – SP)
Texto retirado do zine Um Grito Pela Paz, Nº 29, Dezembro de 2009.
A Política do Pão e Circo - Panis et Circensis
No processo de formação do Império Romano, observamos que uma nova ordem política fora desenvolvida pela ação de Otávio Augusto. Ao mesmo tempo em que as decisões ficariam centralizadas nas mãos do imperador, notamos que esse novo regime também buscava apoio de outras parcelas da elite presentes na sociedade romana. De tal modo, os grandes proprietários de terra e comerciantes passaram a ter presença no Senado e em diversos cargos públicos romanos.
Com o passar do tempo, vemos que a hegemonia das elites na ocupação dos cargos públicos e políticos romanos tiveram um claro efeito na economia e na sociedade daqueles tempos. Proprietários de terra e comerciantes ampliaram os seus poderes com a aquisição de novas terras, a compra de escravos e o alcance de privilégios de ordem diversa. Em contrapartida, os cidadãos mais pobres e os plebeus acabavam sendo excluídos desse processo de crescimento e tendo grandes dificuldades para sobreviver.
Para que essa situação de exclusão e desigualdade não acabasse determinando a realização de revoltas, a administração imperial decidiu estabelecer a chamada “política do pão e circo”. Nessa medida, o governo de Roma realizava grandes espetáculos, nos quais a população plebeia gastava parte de seu tempo assistindo a disputas esportivas e a lutas entre os gladiadores. Durante a mesma ocasião, alimentos e trigo eram fartamente distribuídos para a população menos favorecida.
Ao longo do tempo, acreditava-se que o “pão e circo” foi uma tática que conseguiu subverter as diferenças sociais e econômicas por meio do assistencialismo. Em diversos textos contemporâneos observamos que a instituição do “pão e circo” foi utilizada no intuito de criticar ações governamentais em que os menos favorecidos eram ludibriados com a concessão de favores e diversão. Propondo esse tipo de uso, acaba-se tendo a impressão de que o “pão e circo” romano retinha a insatisfação dos plebeus.
Na verdade, “o pão e circo” romano não atingia a totalidade da população de Roma, que, na época, tinha mais de um milhão de habitantes. Uma pequena parte dessa população pobre tinha direito aos benefícios do Estado, e nem todos os plebeus tinham como acessar as arenas onde os espetáculos aconteciam. Além disso, as arenas também funcionavam como um espaço em que os plebeus manifestavam a sua insatisfação com relação ao preço dos alimentos e à cobrança de impostos.
Por Rainer Sousa
No processo de formação do Império Romano, observamos que uma nova ordem política fora desenvolvida pela ação de Otávio Augusto. Ao mesmo tempo em que as decisões ficariam centralizadas nas mãos do imperador, notamos que esse novo regime também buscava apoio de outras parcelas da elite presentes na sociedade romana. De tal modo, os grandes proprietários de terra e comerciantes passaram a ter presença no Senado e em diversos cargos públicos romanos.
Com o passar do tempo, vemos que a hegemonia das elites na ocupação dos cargos públicos e políticos romanos tiveram um claro efeito na economia e na sociedade daqueles tempos. Proprietários de terra e comerciantes ampliaram os seus poderes com a aquisição de novas terras, a compra de escravos e o alcance de privilégios de ordem diversa. Em contrapartida, os cidadãos mais pobres e os plebeus acabavam sendo excluídos desse processo de crescimento e tendo grandes dificuldades para sobreviver.
Para que essa situação de exclusão e desigualdade não acabasse determinando a realização de revoltas, a administração imperial decidiu estabelecer a chamada “política do pão e circo”. Nessa medida, o governo de Roma realizava grandes espetáculos, nos quais a população plebeia gastava parte de seu tempo assistindo a disputas esportivas e a lutas entre os gladiadores. Durante a mesma ocasião, alimentos e trigo eram fartamente distribuídos para a população menos favorecida.
Ao longo do tempo, acreditava-se que o “pão e circo” foi uma tática que conseguiu subverter as diferenças sociais e econômicas por meio do assistencialismo. Em diversos textos contemporâneos observamos que a instituição do “pão e circo” foi utilizada no intuito de criticar ações governamentais em que os menos favorecidos eram ludibriados com a concessão de favores e diversão. Propondo esse tipo de uso, acaba-se tendo a impressão de que o “pão e circo” romano retinha a insatisfação dos plebeus.
Na verdade, “o pão e circo” romano não atingia a totalidade da população de Roma, que, na época, tinha mais de um milhão de habitantes. Uma pequena parte dessa população pobre tinha direito aos benefícios do Estado, e nem todos os plebeus tinham como acessar as arenas onde os espetáculos aconteciam. Além disso, as arenas também funcionavam como um espaço em que os plebeus manifestavam a sua insatisfação com relação ao preço dos alimentos e à cobrança de impostos.
Por Rainer Sousa
Estudante Nigeriano Constrói Carro Ecológico Com o Que Encontrou na Sucata
Publicado em: 05:58

O jovem Segun Oyeyiola. estudante nigeriano, conseguiu criar um carro, feito inteiramente de sucata, mas que se move através da energia solar e eólica.
O estudante de engenharia gastou cerca de 6 mil dólares neste projecto e passou um ano a adaptar tudo o que lhe era oferecido ao seu novo veículo.
A ideia surgiu depois de tomar noção da quantidade de emissões de CO2 que garante um carro, dito, convencional. Sabia que estava a prejudicar o planeta num longo prazo e diz, sem falsa modéstia, que este carro serve para salvar o mundo.
Para além de de tudo, o automóvel vem instalado com um painel de controlo, que permite perceber se está a funcionar correctamente. Os recursos, esses, são todos naturais.
A energia solar e eólica são ambas funcionais e servem para se complementar. O painel solar encontra-se no tejadilho, ao passo que a turbina eólica fica no capô.
A bateria leva, por agora, cerca de 4 ou 5 horas a ser carregada e esse é um dos aspectos que Oyeyiola quer melhorar na sua criação.
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