terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O Original Pecado de Luis Inácio   
                                                                                                                                       Pouca gente vai negar que Luiz Inácio Lula da Silva é o principal nome da atual conjuntura política brasileira, quem sabe mesmo o maior personagem da história política do nosso país. Como acontece com todo grande personagem, a biografia de Lula é atravessada por contradições, o que faz com que ele desperte todo tipo de sentimentos nos seus admiradores e detratores. Nos últimos tempos, Lula e sua família têm sido alvo de acusações de enriquecimento ilícito, o que, inegavelmente, está comprometendo o capital político daquele que até bem pouco tempo atrás era um dos mais populares e carismáticos homens públicos do Brasil. Neste ensaio, o meu objetivo não é fazer uma defesa do ex-Presidente, até porque há pessoas que podem fazê-lo com muito mais competência.  Quero apresentar uma reflexão sobre aquele que me parece ser o pecado original de Luiz Inácio.
Corrupção? É aí que está o “x” da questão? Acredito que não. Para tentar sustentar a hipótese, parto do princípio de que Lula, de fato, é corrupto, um assaltante da coisa pública, um ladrão. Não há qualquer evidência capaz de comprovar cabalmente essas acusações, mas, mesmo assim, para fins de análise, aceito o argumento como verdadeiro. Se Lula é um corrupto, o leitor irá concordar comigo que ele não é o único, não sendo mais ou menos corrupto que os Sérgios Cabrais, Paulos Malufes, Eduardos Cunhas, Agripinos Maias e Eduardos Azeredos, esses sim, picaretas cujas ações criminosas já foram devidamente comprovadas. Por que, então, entre tantos corruptos, o barbudo de Caetés é o mais devassado pela grande imprensa e o mais odiado pelos ditos “brasileiros de bem”? Se o Ministério Público e a mídia hegemônica estão tão preocupados com a corrupção, que talvez seja o mais grave de todos os infortúnios da nação, por que esses outros corruptos não estão estampados, na mesma proporção que Lula, nos editoriais dos principais telejornais brasileiros? Os manifestantes que recentemente foram às ruas exigindo o fim da corrupção no Brasil, o fizeram, muitas vezes, lado a lado com figuras como Agripino Maia e demonstraram um silêncio retumbante em relação às maracutaias de Eduardo Cunha. Já que não parece ser exatamente a corrupção o motivo que coloca Lula na alça de mira dos brasileiros indignados e das acusações que vemos e ouvimos todos os dias, onde estaria o pecado do sindicalista dos nove dedos?  Uma breve visada nos valores políticos que herdamos do século XIX pode nos ajudar a compreender melhor o problema.
Diferente do que aconteceu em outros países da América, onde a criação de estabelecimentos de ensino superior data do século XVI, no Brasil, a fundação das primeiras faculdades somente aconteceu no século XIX, quando não mais éramos colônia de Portugal. Logo na primeira constituição da história independente do Brasil, outorgada em 1824, estava prevista a fundação de duas faculdades de direito, uma ao norte e outra ao sul do Império do Brasil. Após algumas disputas, as Faculdades de Direito de Pernambuco e de São Paulo começaram a funcionar em 1827. O tempo passou e o ingresso nos cursos jurídicos se tornou sinal de distinção social e de preparação para a vida política, a ponto de Joaquim Nabuco, no famoso livro “Minha Formação”, ter dito serem as Faculdades de Direito a “antessala da Câmara dos Deputados”. Os estreitos vínculos entre as instituições de ensino jurídico e a política parlamentar foram identificadas com precisão por José Murilo de Carvalho, que no importante livro “A Construção da Ordem” demonstrou que, entre 1830 e 1860, aproximadamente 77% dos homens que ocuparam cargos no poder legislativo (formado na época pelas Câmaras Municipais, pelas Assembleias Provinciais, pela Assembleia Geral e pelo Senado) eram bacharéis em direito.
Não à toa, importantes intérpretes do Brasil apontaram o “bacharelismo” como um dos nossos principais valores sociais.  Alberto Torres (1865-1917), por exemplo, no livro “O problema Nacional Brasileiro”, afirmou que o principal dilema da nação estava no fato de os homens públicos “serem quase todos bacharéis que bordavam, sobre a realidade da nossa vida, uma teia de discussões abstratas ou vazias”. Também Gilberto Freyre (1900-1997), em “Sobrados e Mocambos”, criticou a atuação política dos bacharéis, que “afrancesados nada mais faziam do que adornar discursos e copiar leis inadequadas à realidade nacional”. Como podemos perceber, tanto Alberto Torres como Gilberto Freyre relacionam o bacharelismo ao enfeite da palavra, aos excessos retóricos que zelavam mais pelo adequado uso da norma culta do que pelos efeitos práticos da intervenção política.
Talvez seja, exatamente, esse apreço bacharelesco pela retórica enfeitada que faz com que alguns hostilizem Lula, chamando-o de analfabeto e debochando das suas escorregadelas nas concordâncias gramaticais. O curioso é que já ouvi esses ataques saindo da boca de pessoas das mais diversas classes sociais, desde o porteiro do meu prédio até o meu colega professor universitário. O “Lula corrupto” é uma construção discursiva relativamente recente. O “Lula analfabeto” é muito mais antiga, tendo grande permeabilidade no imaginário coletivo. Ainda mais curioso é o fato de que muitos dos doutos  sábios que, bacharelisticamente, chamam Lula de analfabeto, jamais irão colocar os pés na maioria das 56 universidades que já agraciaram o ex-Presidente com o título de doutor honoris causa.
Quando falamos em Lula é impossível não vislumbrarmos também aquele que é a sua antítese: Fernando Henrique Cardoso. Diferente de Lula, FHC construiu a sua vida pública no espaço da universidade, tendo sido um dos principais responsáveis, junto com nomes como Florestan Fernandes (1920-1955) e Octávio Ianni (1926-2004), pela delimitação do campo disciplinar das Ciências Sociais no Brasil, ao longo das décadas 1950 e 1960. Até então, os estudos sociais brasileiros ou estavam atrelados ao Estado e voltados à construção da identidade nacional, como aconteceu no século XIX, em especial dentro de instituições como o IHGB, ou eram marcados pelo chamado “ensaísmo”, que tornava bem tênues as fronteiras entre a literatura e a ciência, entre a ficção e a realidade. FHC e seus colegas da chamada “Escola Paulista” se esforçaram para desenvolver métodos e abordagens que fossem capazes de profissionalizar e tornar mais criteriosos os estudos sociais brasileiros, fazendo-o a partir de uma perspectiva marxista. Sim, meus amigos, o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos principais personagens da história intelectual brasileira, em algum momento, foi marxista. Vejam só como essa vida é louca.
Neste ensaio, não tenho a menor intenção de comparar os serviços que ambos prestaram ao Brasil na condição de chefes de Estado, apesar de eu ter uma opinião muito bem formada sobre o assunto. Prefiro chamar a sua atenção, caro leitor, para a simbologia que cerca esses dois personagens; Lula X FHC! De um lado, está metalúrgico sem ensino superior que, às vezes, não conjuga adequadamente os tempos verbais e tropeça nas concordâncias. Do outro, está o intelectual laureado, poliglota e autor de importantes livros sobre a realidade nacional. Não há dúvidas de que FHC é muito mais representativo do tal bacharelismo do qual Alberto Torres e Gilberto Freyre nos falam do que Lula. Muito mais: Lula é a mais perfeita negação do bacharelismo, ainda que ele tenha vestido terno e gravata e aparado a barba, na expectativa de ser aceito pelos bacharéis que desde sempre dominam a política brasileira. O próprio Luiz Inácio, dotado de reconhecida capacidade política, em algum momento se envaideceu a ponto de achar eles o aceitariam, o tratariam como igual. Jamais o aceitarão como um igual, mesmo que ele tenha, no melhor estilo Lula, conciliado, negociado e cedido, ainda que ele não seja, e nunca foi, digamos assim, um comunistão revolucionário.
Em meio a tantos corruptos, portanto, seria ingênuo achar que a mídia hegemônica e os magistrados que comandam as investigações que hoje são tão conhecidas por todos os brasileiros, perseguem Lula pelo simples fato de ele ser corrupto, o que, repito, ainda não foi provado. O que está em jogo não é corrupção, mas sim aquele que é o pecado original de Lula: a sua condição de sujeito, aquilo que ele é, de onde ele veio, ou melhor, de onde não veio. Lula veio do sertão, da fábrica, e não da universidade. Mesmo assim, Lula se tornou o Presidente brasileiro mais respeitado internacionalmente, aquele que mais abalou as hierarquias sociais que herdamos do complexo Casa grande & Senzala, ainda que não o tenha feito na proporção que gostaríamos.
Um nordestino flagelado pelo sertão, operário, no comando do País, na posição que foi de dois Reis de estirpe europeia, de dezenas de bacharéis em direito e de oficiais do Exército, mais bacharéis fardados que soldados. Como pôde ser ele a exceção, o único? Esse é o original pecado de Luiz Inácio.
Rodrigo Peres, 4 de fevereiro de 2016
www.semrodape.com
Neste artigo vamos apresentar uma lista de 25 proibições mais absurdas que os Cubanos sofrem.
Vale ressaltar, que o Governo Socialista de Cuba aplica muitas destas apenas aos cidadãos cubanos, não se aplicando aos turistas estrangeiros e estrangeiros que vivem na Ilha.

1. Os cubanos são proibidos de acessar a internet em suas casas ou telefones celulares.

ETECSA é o monopólio estatal de telecomunicações em Cuba. Segundo sua política empresarial, o serviço de internet em casas não é permitido a cidadãos cubanos. É exclusivo para empresas estatais e estrangeiras, e também para estrangeiros que residem no país.
Segundo o site da empresa socialista, é estabelecido que:
“O serviço de acesso a internet é oferecido a pessoas jurídicas e a pessoas estrangeiras com residencia temporária ou permanente em Cuba. Por enquanto este serviço não está disponível para pessoas naturais de Cuba, (…) nem ao setor residencial cubano.”

2. Construir embarcações turísticas

Não existe uma lei que proíba aos cubanos de construir embarcações, porém, as autoridades aplicam esta restrição há muitos anos. Segundo Cubatur (agência estatal de viagens), “Aos cubanos – onde quer que vivam – não é permitido a eles vender pacotes que incluam passeios de catamarã ou outros barcos de turismo. Este reservado apenas aos turistas estrangeiros”.
O Departamento Nacional de Capitania estabelece que “nenhum cubano está autorizador a navegar em Cuba, a única exceção é para aqueles casados com cidadãos de outros países, mas que estes devem solicitar autorização previamente.”
Recentemente, depois da nova política de Barack Obama em relação a Cuba, a companhiaCuba Cruise está permitindo que americanos viagem em Cruzeiros Marítimos a Cuba, porém, nenhum cubano (sem visto ou passaporte americano) tem sido autorizado a embarcar neste ou outro qualquer outro cruzeiro, devido a restrição que há décadas é imposta pelo Governo de Cuba a população.

3. Contratar serviço de televisão a cabo

A empresa socialista Telecable, (CIMEX), é a única que oferece televisão a cabo e este serviço é exclusivo para instalações turísticas, diplomáticas, para empresas estrangeiras e a estrangeiros residentes em Cuba. Telecable oferece uma grade de canais internacionais como CNN, Discovery, HBO, Ritmoson Latino, ESPN… A população cubana, pelo simples fato de ser cubana não pode ter acesso a este serviço e deve consumir unicamente os canais nacionais estatais.

4. Viver em Havana sem permissão

Pode alguém de São Paulo viver no Rio de Janeiro? Ou, uma pessoa de Los Angeles pode viver em Washington DC? A resposta é óbvia para nós. Mas em Cuba: Pode alguem de Bayamo viver em Havana? A resposta é Não, se não tiver permissão para isso.
O Decreto-Lei 217, de 22 de abril de 1997, sobre “Regulamentos Migratórios Internos para Cidadãos de Havana” estabelece que pessoas de outras províncias não podem viver na capital sem um documento “transitório”, uma autorização concedida pelos escritórios de registro de identidade do Ministério do Interior.
Certamente, este Decreto Cubano viola o artigo 13.1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: “Toda a pessoa tem o direito de livremente circular e escolher a sua residência no interior de um Estado”

5. Matar uma vaca

Inacreditável, mas é verdade. Em Cuba está proibido e passível de pena matar uma vaca, segundo o Decreto 225 de 1997 de “Contravenções pessoais dos regulamentos para o controle e registro de bovinos” que proíbem expressamente o abate de bovinos.
Esta carne está reservada exclusivamente para ser consumida por turistas e é vendida unicamente em moeda estrangeira (dólar, euro).

6. Manifestar-se

A Constituição de Cuba (1976) reconhece o direito a manifestação, porém que se utilize os“meios corretos para isso”, e o Código Penal, em seu artigo 209 diz que “Comete um delito contra a ordem pública quem participa de reuniões e manifestações que violam as disposições que regem o exercício de seus direitos”
Porém, durante os últimos 39 anos da Constituição de 76, não foi redigida ou incluída nenhuma lei que regule o exercício deste direito em Cuba. Isso é uma inconstitucionalidade da Assembléia Nacional que falha no seu dever de legislar.
Ou seja, o código penal de Cuba te castiga se você não se manifestar de acordou com a Lei, porém, ironicamente não existe nenhuma lei que regule como se deve manifestar.
De novo, Cuba viola a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que reconhece em seu artigo 20.1 que: “Toda a pessoa tem direito à liberdade de reunião e de associação pacíficas”.

7. Ter dupla cidadania

Diz a própria Constituição de Cuba em seu artigo 32: “Não se admite a dupla cidadania. Em consequência disso, quando se adquire uma cidadania estrangeira, perde-se a cubana. A lei estabelece o procedimento que deve ser seguido para a formalização dessa ‘substituição’ e quais são as autoridades competentes para formalizar essa decisão”
Apesar disso, o imigrante cubano portador de outra cidadania é obrigado a tirar um passaporte cubano (e pagar os custos corresponderes) para poder entrar em Cuba.

8. Proibidos partidos políticos

Ainda que a Constituição de Cuba permita a todos os cidadãos serem eleitos, a mesma carta magna deixa explícito em seu artigo 62 que: “Nenhuma das liberdades reconhecidas aos cidadãos pode ser exercida contrária ao estabelecido na Constituição e nas leis, nem contra a existência e interesses do estado socialista, nem contra a decisão do povo cubano de construir o socialismo e o comunismo. A infração desde princípio é passível de punição” 
A Constituição também declara que “O Partido Comunista de Cuba, Marti e Marxista-Leninista, é a força dirigente superior da sociedade e do Estado, que organiza e orienta os esforços comuns e objetivos no progresso do socialismo e avanço da sociedade comunista.”
Portanto, qualquer partido político que não seja o PCC está passível de punição pela Lei.

9. Investir em empresas grandes e médias

A Lei 188, de investimento estrangeiro, regula os investimentos em Cuba de pessoas e empresas estrangeiras, assim como de pessoas jurídicas cubanas que invistam de forma conjunta com estrangeiros. Mas não se fala em nenhum momento de pessoas naturais de Cuba que tenham o direito de investir em Cuba.
A única possibilidade para o cubano que queira ser empresário é de se se tornar um “cuentapropista“* (profissional independente, dono de um pequeno negócio), mas este deve ser autorizado pelo Governo e em algumas poucas atividades permitidas como: pedreiros, cabeleireiros, vendedor ambulante de alimentos, lenhador, massagista, faxineiro de banheiros públicos.
*Os “cuentapropista” geralmente são do setor informal da economia Cubana, trabalham por conta própria. Em sua grande maioria são homens que desenvolvem atividades no setor agropecuário e de serviços e mulheres do setor de pequenas vendas e serviços.

10. Importar microfones sem-fio, walkie talkies e equipamentos de comunicação via satélite.

A Resolução 10 de 2006 diz em seu parágrafo segundo que as pessoas que desejam importar microfones sem-fio, walkie talkies, equipamentos de comunicação via satélite…“necessitam uma prévia autorização de entrada no país e uma licença ou permissão que assegure sua instalação, exploração e funcionamento, ambas emitidas pela Agência de Controle e Supervisão do Ministério de Informática e Comunicações” e para que ninguém fique muito iludido, a resolução é clara: “a apresentação desta solicitação de autorização não significa necessariamente que ela será concedida”.

11. Convidar um estrangeiro a passar a noite em sua casa

Para um cubano, convidar um estrangeiro para passar a noite em sua casa não é algo tão simples como parece. Os estrangeiros que escolham se hospedar em casa de amigo que possua um local não autorizado para o aluguel (segundo o Decreto-Lei nº 171 / 1997 de 15 de mayo, “sobre o aluguel de casas, quartos ou espaços”), ou que não pagaram pelo aluguel, devem viajar com Visto de Turista, mas uma vez que se encontrem em Cuba deverão solicitar alteração para um visto do tipo Familiar (A-2) na Direção de Imigração e Estrangeiros (DIE) do município onde vai residir.
Se a polícia ou as autoridades de imigração encontram um estrangeiro dormindo sem autorização em uma habitação de um cubano, o proprietário da casa pode ser severamente multado.

12. Vender lagosta e camarão

Você quer vender lagosta ou camarão em Cuba? Sinto muito, só o Estado pode fazer isso e os estrangeiros, é claro!
O artigo 51 do Decreto-Lei 164 “Regulamentos da Pesca” estabelece as seguintes multas a qualquer um que “Capture, desembarque ou comercialize as seguintes espécies destinadas exclusivamente para a pesca comercial:
a) langosta e siri, de 500, até 5000 pesos;
b) camarão, de 50 até 5000 pesos.”
Mas o artigo 26 do mesmo decreto ainda diz que: “O uso de pesca comercial só pode ser efetuado pelas entidades subordinadas ao Ministério da Indústria da Pesca ou entidades autorizadas por este, ou por pessoas e empresas estrangeiras autorizadas pelo Comitê Executivo do Conselho de Ministros”.

13. Ficar mais de 2 anos fora de Cuba

Segundo a lei vigente de Imigração, um cubano pode ficar até 2 anos fora da ilha antes de ser considerado “imigrado” pelas autoridades cubanas. Depois desse período fora do território nacional sem uma justificativa aprovada, o cidadão cubano perde seus direitos em Cuba incluindo o de residir por lá.

14. Dar carona a um estrangeiro em um carro particular

A polícia cubana pode multar ou apreender o veículo se um cidadão cubano sem licença de táxi, dar carona a um estrangeiro. Não existe uma lei explícita que proíba, mas as autoridades assumem que um estrangeiro em um veículo cubana é sinônimo de enriquecimento ilícito.

15. Trazer 25 unhas postiças do exterior

A recente Lei Aduaneira de Cuba estabelece exaustivas proibições sobre os bens que podem ser trazidos do exterior para a ilha. Limitações ridículas colocam dificuldades na hora de trazer a Cuba artigos que não podem ser encontrados dentro do país. A resolução aduaneira 206, em seu artigo 5 explica que “A autoridade aduaneira confiscam valores que excedam o limite estabelecido na presente resolução…” E no caso das unhas artificiais, o limite é de 24.

16. Educar seus filhos de forma alternativa a estabelecida

Em 1959, o Governo nacionalizou as instituições acadêmicas e criou um sistema operado exclusivamente pelo Estado.
A Constituição cubana diz que a educação em Cuba se fará conforme o “Ideal marxista” onde se promoverá a “formação comunista”.
O método educativo em Cuba é um só, salvo para filhos de estrangeiros e que possam entrar em uma escola internacional, onde não existe a formação ideológica, ainda que esta também seja estatal.

17. Possuir um sistema de saúde diferente do estatal

Em 1959, o Governo de Cuba estatizou também a saúde. Não são permitidas alternativas ao setor de saúde estatal. Existe um hospital em Havana chamado Cira García com boa qualidade, higiene e bons médicos onde exclusivamente atendem a estrangeiros, mas igualmente é um centro médico estatal.

18. Trazer doações a Cuba

Para o envio de doações ou donativos a Cuba, é necessária uma Autorização para Importação (AI).
O beneficiário deve fornecer informações e apresentar algumas documentações necessárias para a Empresa executora de Donativos (EMED), do Ministério do Comércio Exterior, a fim de obter as garantias e cumprir os requisitos para a formulação do pedido de autorização para importação.
Se este pedido for aceito, a EMED emite a Autorização e o beneficiário é informado.
Por exemplo, se um estrangeiro trouxer em sua mala medicamentos para serem doados a um hospital e os declara como doação, estes serão confiscados no aeroporto.

19. Pertencer a um sindicato independente

O Convênio 87 da Organização Internacional do Trabalho (ILO), parte da ONU, diz: “os trabalhadores… sem nenhum distinção e sem necessidade de autorização prévia, tem o direito de constituir organizações que estimem conveniente, assim como se filiar a estas organizações”
Mas em Cuba, mais uma vez, pouco importa o que a ONU diz. O Decreto-Lei 67, da Organização da Administração Central do Estado, em seu artigo 61, “confere ao CTC (Partido Comunista de Cuba) a representação legal e institucional dos trabalhares cubanos”
Na Lei 49, Código do Trabalho, os artigos 15 e 16 fazem referência explícita “a existência e filiação de trabalhadores ao CTC e a seus Sindicatos Nacionais”, não deixando portas abertas a sindicatos não vinculados ao CTC.

20. Criticar os Governantes

As empresas socialistas cubanas incluem em seus contratos com os trabalhadores, em letras minúsculas, o seguinte trecho: “é proibido criticar ou contradizer aos diretores da empresa e aos líderes do país”.

21. Transportar alimentos de uma província a outra

As malas dos viajantes são continuamente revistadas pela polícia em trens, ônibus, carros particulares, bicicletas ou qualquer outro meio de transporte que cruza os pontos de controle ou fronteiras de províncias.
Poderíamos pensar que isso é uma forma da polícia inibir o transporte de armas, drogas ou outros produtos ilegais mas o que a polícia confisca é café, carne, verduras, pão, entre outros produtos. E o confisco acompanha uma multa. A desculpa oficial do Governo é “O enriquecimento ilícito por comercializar produtos liberados”.

22. Voltar a viver em Cuba depois de emigrar

Você vive fora do seu país e deseja voltar a sua pátria? Não, o Estado Cubano decide quem tem esse direito e quem não.
Desde janeiro de 2013, todas as saídas de Cuba se fazem com uma permissão de permanência no estrangeiro de até 24 meses, independente do tipo de visto que se obtenha. Depois dos 24 meses, se não for solicitada (e autorizada, principalmente) uma permissão de residência no exterior, as autoridades cubanas declaram que a pessoa se tornou “emigrada”
E para que um “emigrado” possa voltar a Cuba é necessária uma autorização e para isso é preciso apresentar uma solicitação perante os organismos competentes. Apenas quando receber o passaporte cubano com um selo de emigrante, é que o cidadão cubano tem o direito de visitar e voltar a pisar na ilha.

23. Organizar qualquer atividade esportiva ou artística sem permissão do Governo

Os eventos esportivos e culturais estão proibidos sem uma prévia autorização do Governo cubano. Realizar algum destes sem uma dita autorização pode ser considerado uma provocação, tendo como resultado a prisão de seus organizadores e participantes. Um exemplo recente ocorreu com Tania Bruguera em 30 de dezembro de 2014. Ela teve seu passaporte devolvido apenas em Julho de 2015, conforme noticiado pela Folha.

24. Existir meios de comunicação privados

A Constituição de Cuba, em seu artigo 53, estabelece que: “a imprensa, a rádio, a televisão, o cinema e outros meios de difusão em massa são de propriedade estatal ou social, e não podem, em nenhum caso, ser de propriedade privada.”

25. Distribuir informações vindas do Governo dos Estados Unidos, agências ou entidades particulares.

O Controle da informação é um trabalho minucioso realizado pelo Governo Cubano e pelas equipes de inteligência. Qualquer informação que circule em Cuba que não seja previamente aprovada pelo Partido Comunista é considerada ilegal e seus difusores podem enfrentar processos criminais.
Segundo o artigo 11 da Lei 88 de Proteção da Independência Nacional e a Economia de Cuba (Lei Mordaza), “Qualquer um (…) receber, distribuir ou participar da distribuição de recursos financeiros, materiais ou não, por parte do Governo dos Estados Unidos da América, ou de suas agências, departamentos, representantes, funcionários ou entidades privadas, será punido com prisão de três a oito anos ou uma multa de três mil pesos ou ambas”.
Como dizem os Cubanos: “Y lo que no es prohibido es obligatorio.” (E o que não é proibido é obrigatório).
Artigo Original Publicado em Yusnaby.com [em espanhol]
Tradução e Adaptação por Henrique Rossi
"Olhar Atual"

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Na Dança do Caxambu

A Casa Do Jongo abre as portas em Madureira com  missão de perpetuar o gênero que nasceu na África e se espalhou pelas favelas cariocas.
No domingo ( 29/11/2015), a partir das 10 horas, o carioca tem um encontro marcado com suas raízes. É que nesta data será inaugurada a Casa do Jongo da Serrinha, que servirá de sede para o Grupo Cultural Jongo da Serrinha, criado há 50 anos em Madureira. A festa terá lavagem da Rua Compositor Silas de Oliveira ( onde fica o estabelecimento), com líderes de diversas religiões, café da ,manhã . rodas musicais e a apresentação da orquestra de alunos da UFRJ. Tudo, é claro, ao som do jongo.
O imóvel, doado pela prefeitura do Rio em 2013, fica no pé do morro da Serrinha, local de resistência do gênero musical.Afinal, foi lá que na década de 60, Mestre Darcy do Jongo (1923-2001), ao ver que a batucada e as danças corriam o risco de desaparecer, convidou algumas jongueiras, como Vovó Teresa (1864-1979) e Djanira do Jongo (1934-1995), para passar seu conhecimento às novas gerações- até então, por tradição, o jongo podia ser dançado somente por idosos. Estava, então, formado o grupo Jongo da Serrinha, com a missão de perpetuar o isto de dança e cantigas (chamadas de pontos) nascidos na África.
O jongo, ou caxambu, como também é conhecido, chegou ao Brasil por meio dos negros de origem bantu, trazidos como escravos para trabalhar nas fazendas do Vale do Paraíba, Minas Gerais e São Paulo. Nessa época, só tinham permissão para se manifestar nos dias do santos católicos. Na prática , o jongo é constituído de dança de roda, e de cantigas de frases curtas, entoadas por um solista, cujo refrão é respondido pelo restante do grupo. A natureza, a opressão e o cotidiano são alguns de seus temas.
Com a abolição da escravatura, os ex-cativos migraram para o Rio, e com o tempo, foram se instalando nos morros cariocas como, São Carlos, Salgueiro, Mangueira e Serrinha. A partir da década de 30, no entanto,a prática foi desaparecendo, e o único local a manter a tradição foi o Morro de Madureira. Foi graças aos jongueiros do bairro que o gênero sobreviveu, e em 2005, foi tombado como o primeiro bem imaterial do Estado do Rio de Janeiro.

Heloísa Gomes- Veja Rio, Novembro 2015

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A bondade de estranhos

Toda manhã,no estado americano do Tenessee, algum desafortunado acha um bolo recém-assado na soleira da porta.Junto dele um bilhete simples:"Alguém ama voce".
 Essa atitude nobre é cortesia das Nine Nanas,as nove vovós anônimas que, há muitos anos dedicam-se a ajudar os pobres
. Thiago Bertoldi,filho de um caminhoneiro e uma dona de casa,deixou a cidade natal de Garça (SP) para se dedicar à música.Conseguiu formar-se pianista em julho pela Academia de Música Franz Liszt,de Budapeste,graças ao apoio financeiro da psicóloga Judith Vero,que aos 69 anos,além de trabalhar e fazer tradução simultânea,dedica-se a patrocinar jovens talentos.
Trinta mil pessoas de 84 países doaram mais de 700 mil dólares à monitora de ônibus Karen Klein,68 anos,de Greece,no estado de Nova York,quando um vídeo mostrando alunos do sétimo ano que a agrediam virou epidemia na Internet.
Nascido com uma deficiência imunológica rara, Lucas Gonzales, de 3 anos precisava desesperadamente de um transplante de medula óssea,e a família sabia onde levantar recursos: no site de notícias sociais reddit.com. Em 24hs,foram coletados mais de 50 mil dólares.
Num surto nunca visto antes de doações anônimas nos EUA,estranhos do país inteiro doaram um rim a quem precisava.Tudo começou quando Rick Ruzzamenti,44 anos da Califórnia,doou um rim a alguém em Nova Jersey.Inspirada pelo presente anônimo ao tio,a sobrinha Teresa A. Gavin doou um rim a Brooke R. Kitzman,paciente necessitada em Michigan.David Madosh, ex namorado de Kitzman,continuou a retribuir doando um rim a alguém que não conhecia na Pensilvânia.Quando tudo acabou, 30 pacientes e 30 doadores tinham participado da corrente.
Na cadeira de rodas,tudo o que Patrick Connelly conseguia ver no show de música country de Blake Shelton,no Kansas,era um mar de gente.Então ,dois estranhos puseram Patrick nos ombros durante mais de 20 minutos,num calor escaldante de quase 40 graus,tempo suficiente para que o rapaz pudesse ver o seu herói tocar.
As dificuldades financeira da família não permitiram que Helen Cardenas ganhasse presentes de Natal.Assim a menina de 5 anos de Seatlle escreveu pedindo presentes a Papai Noel e prendeu o bilhete num balão. A 1.100 km dali,o balão caiu no rancho de Frank Sanderson, na Califórnia.
 Os Sandersons compraram os presentes da lista e os mandaram para Helen,

Revista Seleções Readers Digest, dezembro 2012
 

Notícias do mundo da medicina/Brasil

Comer faz bem. Além do sabor agradável,o queijo de coalho tem características nutritivas e bioativas. Segundo o estudo publicado na revista Food Chemistry, pelo biólogo Roberto Afonso da Silva,doutor em Biociência A
nimal,do Laboratório de Imunopatologia Keiso Asami da Universidade Federal de Pernambuco,o produto apresentou peptídeos bioativos com propriedades antioxidantes,que podem prevenir danos relacionados a envelhecimento,câncer,ataques cardíacos, AVCs e arteriosclerose. Ele também apresentou atividade antimicrobiana e carreadora de zinco,mineral que ajuda na multiplicação de células de defesa. Fonte: Letícia Lins, O Globo Retirado da Revista Seleções Readers Digest, dezembro 2012

domingo, 13 de janeiro de 2013

Notícias do mundo da medicina/ EUA

Um aparelho que prevê infartos : Do tamnho de uma moedinha de um real, o AngelMed Guardian - implante colocado debaixo da pele,perto do ombro esquerdo- monitora padrões incomuns de atividade elétrica do coração e ajuda a identificar um infarto de forma bem rápida,possivelmente antes mesmo que o usuário sinta algum sintoma. Ao detectar qualquer problema,o aparelho implantado produz uma vibração, e um bipe portátil dá o alarme para fazer uma luz de alerta piscar.A venda do aparelho no Brasil já foi aprovada pela Anvisa. Fonte: Angel Medical System Shrewsbury, Nova Jersey Texto retirado da Revista Seleções Readers Digest, dezembro 2012

Máquina Social

É fácil fazer.Eis o slogan improvável de uma plataforma colaborativa de robótica,a Robô Livre. O projeto começou em 2005,durante a pesquisa de mestrado em engenharia mecânica de Henrique Foresti,35 anos. Ele colocou na internet o planejamento de um robô que estava construindo para quem quisesse conhecer,copiar ou transformar o objeto.Em seguida começou a ensinar robótica em uma escola pública em Recife, onde mora. Hoje, a iniciativa mantém centros de pesquisas em 5 escolas públicas( além de mais 3 privadas) da capital pernambucana. Cada uma recebe um técnico do projeto duas vezes por semana.Eles ensinam a fazer protótipos,tiram dúvidas dos alunos e promovem a experimentação da tecnologia,estimulando a curiosidade e a criatividade. Quando os monitores não estão nas escolas,o contato pode ocorrer por telefone, e -mail ou vídeo -conferência, e também por uma rede social criada pelo projeto há 2 anos. Muitos alunos têm participado de campeonatos nacionais e internacionais de robótica,mostrando que o maior mérito da Robô Livre é trazer perspectiva de vida aos alunos. " A transformação se dá quando esses jovens passam a dominar tecnologias que eram vistas como complexas e distantes da sua realidade.", diz Henrique, que se orgulha de muitos estudantes,antes sem intenção de fazer faculdade,agora já pensarem no vestibular.Para o que vão concorrer? Engenharia ,é claro. Leandro Quintanilha, Revista Galileu.